Dermatologia & Estética Médica
O uso de extensões de cílios representa um fator de risco substancial para a infestação pelo ácaro Demodex folliculorum, segundo um estudo da National Pirogov Memorial Medical University, em Vinnytsia, Ucrânia. Os dados foram apresentados pela oftalmologista Tetiana Zhmud durante o congresso da European Society of Cataract and Refractive Surgeons e evidenciam como o procedimento estético atua como um estressor ambiental para a superfície ocular.
Levantamento e achados microscópicos
Diferentemente do texto gerado anteriormente, que unificou os dados de forma equivocada, a pesquisa original dividiu-se em duas etapas. A fase preliminar baseou-se em um levantamento com 345 mulheres entre 16 e 28 anos, no qual 25% relataram usar extensões. Dentre as usuárias, 47,6% apresentaram sintomas como desconforto, vermelhidão, lacrimejamento ou coceira. Exames de meibografia revelaram que 85% das mulheres que haviam repetido o procedimento mais de dez vezes apresentavam alterações estruturais nas glândulas meibomianas.
Na segunda etapa do estudo, foi realizada uma avaliação microscópica detalhada dos cílios de 25 usuárias regulares de extensões e de um grupo controle de 10 mulheres que nunca haviam feito o procedimento. Com base na análise microscópica de quatro cílios por pálpebra (aumento de 100x a 400x), os pesquisadores identificaram a presença de ovos, larvas e formas adultas do ácaro.
Os resultados mostraram que 96% do grupo que utilizava extensões (todas as mulheres, exceto uma) possuía infestação por Demodex.
"Surpreendentemente, os ácaros também foram vistos na cola adesiva, que pensávamos não ser um bom ambiente de vida para o Demodex."
Tetiana Zhmud, oftalmologista da National Pirogov Memorial Medical University
Fatores de risco e impacto clínico
Embora 18 mulheres tenham manifestado sinais clínicos de demodicose — como irritação nas margens das pálpebras, edema e descamação —, a pesquisadora advertiu que a infestação é frequentemente assintomática, resultando em subdiagnóstico. O risco acentua-se pela recomendação usual dos salões de beleza para que as clientes não lavem a região dos olhos a fim de prolongar a durabilidade da cola.
Para mitigar a proliferação e tratar os quadros estabelecidos, o estudo recomenda protocolos rigorosos de assepsia:
- Uso diário de lenços de limpeza formulados com óleo de melaleuca (tea tree oil).
- Massagem e fricção leve nas pálpebras de uma a duas vezes ao dia por um período de quatro a seis meses.
- Escovação diária dos cílios com aplicador limpo associado a gel de limpeza ocular específico.
Ponto de atenção clínica: Os dados derivam de um estudo observacional em duas etapas. Embora a infestação não gere sintomas em todas as pacientes, o alto índice de alteração nas glândulas meibomianas indica que o acompanhamento oftalmológico preventivo é essencial para usuárias regulares de extensões.