Pneumologia & Saúde Respiratória
Para pacientes com asma de moderada a grave, o simples aumento do número de passos diários pode ser tão eficaz quanto sessões estruturadas de treinamento aeróbico para o controle da doença. É o que aponta um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicado na revista científica Pulmonology.
A pesquisa demonstrou que ambas as abordagens melhoram a qualidade de vida, aliviam sintomas de ansiedade e depressão e controlam a asma a médio prazo. Os resultados oferecem aos médicos e pacientes alternativas de tratamento não farmacológico mais flexíveis e acessíveis.
Metodologia e perfil dos pacientes
O estudo selecionou 52 voluntários inativos fisicamente, com asma não controlada, idades entre 18 e 65 anos e que já recebiam tratamento médico há pelo menos seis meses. Segundo os autores, a maioria do grupo era composta por mulheres com sobrepeso ou obesidade grau 1, que também apresentavam sintomas de ansiedade e baixa qualidade de vida.
Após uma sessão educativa presencial, os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de intervenção, que duraram oito semanas:
- Treinamento aeróbico: sessões de 45 minutos em esteira, duas vezes por semana, com supervisão profissional no Hospital das Clínicas (HC).
- Intervenção comportamental: visitas semanais de até 90 minutos para orientação e incentivo ao aumento da atividade física por meio de caminhadas, com o uso de um relógio inteligente (smartwatch) para rastrear os passos diários e estabelecer metas.
Manutenção dos resultados a médio prazo
Após a intervenção, o grupo do treinamento aeróbico teve um aumento médio de 1.537 passos por dia em relação ao início do estudo. No acompanhamento realizado quatro meses depois, o aumento estabilizou em 983 passos. Já o grupo da intervenção comportamental aumentou 1.126 passos diários inicialmente, registrando um ganho sustentado de 996 passos após quatro meses.
Voluntários de ambos os grupos apresentaram menos sintomas respiratórios e mantiveram esses benefícios mesmo após o período de acompanhamento.
"Ambas as intervenções são benéficas para os pacientes e proporcionam melhor controle clínico da doença. E, com base em nossos resultados, nenhuma estratégia superou a outra. No entanto, o treinamento aeróbico exige mais equipamentos e deve ser supervisionado. Com a simples caminhada, por outro lado, ao aumentar o número diário de passos, os pacientes tendem a controlar a condição e obter outros benefícios."
David Halen Araújo Pinheiro, fisioterapeuta e pesquisador (FM-USP)
Os pesquisadores observaram que, passados os quatro meses, muitos pacientes do grupo aeróbico haviam se matriculado em academias para continuar usando a esteira, enquanto os do grupo comportamental incorporaram a caminhada à sua rotina diária.
Ponto de atenção clínica: tanto o treinamento aeróbico quanto a intervenção comportamental são terapias complementares. Os pacientes não devem interromper o tratamento farmacológico prescrito, conforme estipulado pelas diretrizes da Iniciativa Global para a Asma (GINA).